Por que Caos & Revolta?

Texto de Ana Carolina C. e Tatiana Trindade

Este texto foi produzido à partir deste mapa mental

Nos recusamos participar do velório da educação que acreditamos. Ela é bem diferente dessa educação baseada em conteúdos desconexos da realidade, que prioriza a razão em detrimento da imaginação. Afinal o que é a razão num mundo de tantas perspectivas? Consideramos que a educação vive hoje um sepultamento brutal. Pois estamos num momento em que se desvaloriza a pesquisa, a cultura, o estudo, as necessidades para que ocorra o aprendizado. Existe uma superficialidade das informações, a falta de relação com o outro. Enquanto professoras nos sentimos tais quais equilibristas sobre uma corda bamba, num meio de um turbilhão de sentimentos.

Mesmo assim acreditamos que a afetividade, o reconhecimento dos saberes e vivências que cada um traz consigo e a colaboração entre todos os agentes do processo educativo, traz sentido a nossa jornada.

Nos conhecemos desde a adolescência, porém seguimos nossos caminhos separadas e nos reencontramos anos depois no curso de Mestrado na área de arte e educação -ProfArtes. Esse reencontro não foi só de duas amigas, mas sim um encontro de almas, crenças, interesses e sonhos. O mestrado ainda nos proporcionou o encontro individual com o nosso aluno interior que não é nem um pouco diferente dos nossos alunos! NOSSOS ALUNOS, eternos motivadores da nossa busca pela excelência.

No final do mestrado, resolvemos cada uma ao seu modo dissertar sobre as variadas relações estabelecidas em sala. Adolescentes espectadores: um olhar teatral sobre o aluno do ensino médio e Real e Virtual: um passeio pelos projetos e afetos de uma professora de artes numa escola de ensino médio, são os títulos dos nossos trabalhos, enquanto o primeiro tem sua base em cima da defesa do corpus teórico da linguagem cênica, o segundo parte dos pressupostos da pedagogia de projetos para o ensino de artes. E foi numa atitude aberta ao diálogo, e com o uso de um olhar generoso sobre a prática uma da outra, que constatamos que o que pode parecer o recorrente embate teoria versus prática, era na verdade uma teia de conhecimentos complexos que se retroalimentavam.

Descobrimos nesse processo a Pedagogia do Caos e a Partitura da Revolta.

Pedagogia: profissão ou exercício de ensino; caos: sistema dinâmico, de caráter informe, ilimitado e indefinido. Na pedagogia do caos o processo importa mais que o resultado final, você só aprende se se arriscar, riscos levam ao erro, pedagogia do caos é a aceitação da errância, é proporcionar aos estudantes a autonomia para escolherem seus projetos e decidirem seus caminhos e resultados, por fim, a pedagogia do caos entende que uma sala em movimento não é uma sala bagunçada.

E a partitura da revolta?

Partitura: notação musical; revolta: agitação, manifestação coletiva. A partitura da revolta é a comparação metafórica entre a grafia do som e do silêncio e a escolha do que dizer ou deixar de dizer acerca dos conteúdos teatrais. É, na aula, aproximar o pensamento de tempos passados ao pensamento contemporâneo, é mostrar que os desejos, angústias e anseios que determinados dramaturgos, diretores, encenadores e atores viveram, são mais próximos de nós do que podemos imaginar. A partitura da revolta canta o despertar da consciência dos estudantes pela crítica, comparação e sensibilização. Ela jamais acontece unilateralmente, trata-se de uma ação reflexiva que se dá coletivamente.

Pensamos que tudo isso, não pode ficar só conosco e resolvemos COMPARTILHAR. Por isso que criamos esse blog. O www.caoserevolta.com traz a produção de um conteúdo teórico sobre a arte teatral e tem sido um exercício de uma liberdade criadora. Que não deixa de abordar os temas cobrados em processos seletivos como o PAS e o ENEM por exemplo. Escrever no site tem ampliado nossos conceitos, e quanto mais conceitos podemos articular, maior é o nosso mundo e maior é o alcance da nossa consciência.

Realmente acreditamos que aqui qualquer visitante pode ter o seu mundo ampliado também. Pois, como já dissemos, o teatro é vivo e acompanha a história da humanidade, porque não acompanharia a sua?

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