Futurismo

Texto de Ana Carolina C. e Tatiana Trindade

O Movimento Futurista teve origem na literatura e se espalhou para as demais linguagens artísticas, o seu principal representante foi o italiano Filippo Tommaso Marinetti (1876 – 1944), autor do primeiro manifesto que foi publicado em 20 de fevereiro de 1909 no jornal francês Le Fígaro. Desenvolveu-se principalmente na Itália, França e Rússia, entre os anos 1909 a 1930.

Assim como os precursores dos movimentos expressionista, surrealista e dadaísta, os futuristas negavam o passado acreditando na necessidade de se criar uma nova arte que correspondia a nova sociedade. Luz, velocidade e movimento são as palavras de ordem no Futurismo. Seus artistas apostavam na tecnologia e na ciência, como precursoras de um mundo novo e melhor.

Marinetti organizou eventos futuristas, chamados serate, que envolviam a leitura de poesias e manifestos para plateia entusiásticas e não raro hostis; escreveu também uma série de ensaios sobre o futurismo e o modo como ele poderia ser desenvolvido em várias artes. Em 1911 tais ensaios foram organizados sob o título de Le futurisme (O futurismo)

Ao contrário do que podemos imaginar, os artistas desse movimento defendiam que este mundo novo e melhor só nasceria depois de uma higienização mental e social promovida pela guerra, ação. Por esse mesmo motivo os futuristas defenderam os ideais fascistas que cresciam por toda a Europa, chegando até mesmo a se filiarem ao Partido Nacional Fascista (Partito Nazionale Fascista, ou PNF, em italiano).

Enquanto os pintores e escultores do grupo futurista testavam novas técnicas na busca de materializar conceitos etéreos como a velocidade, força e movimento, os artistas do teatro, influenciado por Marinetti, negavam os fundamentos do teatro realista tais como o drama psicológico, a verossimilhança e os temas relacionados ao amor.

Marinetti defende o teatro como a arte que melhor corresponde aos objetivos futuristas, para alcançar tais objetivos, os dramaturgos mostravam as vantagens e benefícios de se viver em uma sociedade industrializada que avançava para o progresso com o auxilio das máquinas. Cabe lembrar que estamos falando de uma época que a invenção do motor a vapor e da eletricidade era uma novidade que mudava a percepção do homem sobre o mundo.

Sendo assim, eles rejeitavam as plateias passivas, satisfeitas, tradicionalistas e inertes, para Marinetti mais valia as vaias sinceras do que o aplauso educado. Era então, dever dos autores e atores aprenderem o “prazer de ser vaiado”. Assombro e surpresa eram os efeitos a serem procurados; a plateia podia ser constantemente surpreendida por coisas como bilhetes errados ou cola em seus assentos.

Todas essas ações buscavam em todos os presentes uma oposição aos sentimentos interiores e a expressão da fisicofollia, uma espécie de loucura do corpo; a exaltação da ação; o poder do deslocamento; a força das máquinas; do heroísmo; da destreza; do aparente domínio do homem sobre a natureza; da aceleração do tempo. Isso vai refletir na estrutura do texto dramático e da interpretação, surgindo assim o teatro sintético.

Teatro Sintético

Era a defesa de um teatro rápido e ágil, os futuristas viam o entusiasmo e a síntese como a poesia da arte dramática, ao invés de um teatro de atos extensos, se buscava um veloz e agressivo teatro de pequenos atos. Peças tradicionais como Hamlet de Shakespeare, que originalmente é um drama em cinco atos, passa a ser representada em uma cena de poucos segundos. Além disso, surgia nos espetáculos experiencias anacrônicas como, por exemplo, a execução de uma sinfonia de Beethoven de trás pra frente.

Não só o texto sofre mutilações, Marinetti desejava mostrar ao público um corpo em partes, ou seja, do corpo do ator buscava demonstrar partes isoladas, como em certa cena que optou por preservar apenas as mãos e introduzir uma coreografia só para elas.

Outro diretor, Enrico Prampolini (1894-1956), desejava além: à ausência do ator. Ele imaginava um espetáculo que substituiria a ação cênica comum por uma síntese de elementos capazes de despertar sensações, era uma busca sensorial que não se findava nas palavras, era preciso transmitir o cheiro das fumaças dos automóveis e o barulho da cidade que se industrializava. Confiava em arquiteturas dinâmicas luminosas, em correntes elétricas e em gases coloridos. Essa insistência constante no alcance do novo ocasionou uma evolução em outra forma de teatro, o de formas animadas em que atores eram facilmente substituídos por bonecos, objetos e autómatos.

Prampolini, também desenvolveu um trabalho essencial no campo da cenografia, propondo a abolição do cenário pintado figurativo muito comum na Itália. Os cenógrafos e encenadores também se orientavam pela infidelidade ao texto, não respeitando à exatidão histórica, o que resultava num espetáculo mais para o music hall do que para o teatro dramático. Music Hall é um tipo de entretenimento musical que mistura exibições de números circenses, peças teatrais curtas, exibição de talentos, danças e canções.

Resumindo: o teatro futurista dilui as fronteiras entre os gêneros para criar um espetáculo síntese onde se mesclavam a tragédia, a farsa, a pantomima, dança, a acrobacia e o coro.

Cabe dizer que há divergências entre os autores quanto ao uso das terminologias Music Hall e teatro de Variedades, posto que são muito similares, no entanto são dois termos presentes dentro da pesquisa sobre o movimento futurista.

Nas artes visuais

            O impacto do Cubismo foi decisivo para o desenvolvimento das práticas dos futuristas. No entanto, esses artistas constituíram seu próprio vocabulário visual e filosófico e, em muitos de seus trabalhos, atravessaram as fronteiras entre as linguagens.

            Os futuristas enfrentaram o desafio de captar em seu trabalho o mundo em movimento. O italiano Umberto Boccioni (1882 – 1916) buscou maneiras de representar situações urbanas de grande ação, criando em suas pinturas a sensação de dinamismo.  Em suas esculturas eram presentes o desejo de representar as ideias de velocidade e simultaneidade de maneira concreta, sem os subterfúgios ilusórios da pintura.

No cinema

O único filme do Futurismo a sobreviver aos efeitos do tempo, é um curta metragem denominado, Thais que traz a marca do pintor, escultor e cenógrafo, Prampolini.

 Na música

            No link https://www.wdl.org/pt/item/20028/ da Biblioteca Digital Mundial, é possível encontrar o original do Manifesto Técnico da Música Futurista que amplia o Manifesto dei Musicisti Futuristi (Manifesto dos músicos futuristas). Ambas as obras de Francesco Balilla Pratella (de 1880 a 1955).

Para saber mais 
Carlson Marvin,  Teorias do teatro: estudo histórico-crítico, dos gregos à atualidade São Paulo: Fundação Editora da UNE SP, 1997
Vasconcellos, Luiz Paulo Dicionário de teatro – 6 ed.- Porto Alegre, RS: L&PM, 2009.
Aslan, Odette, O ator no Século XX: evolução da técnica, problema da ética – São Paulo: Perspectiva, 2005.
Berthold, Margot, História Mundial do Teatro – 6ª edição-São Paulo: Perspectiva, 2014.

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